HEPATITE
Hepatite é
toda e qualquer inflamação do fígado e que pode resultar desde uma simples
alteração laboratorial (portador crônico que descobre por acaso a sorologia
positiva), até doença fulminante e fatal (mais frequente nas formas agudas).
Tipos de
Hepatite
Existem
várias causas de hepatite, sendo as mais conhecidas as causadas por vírus
(vírus das hepatite A, B, C, D, E, F, G, citomegalovírus, etc). Outras causas:
drogas (anti-inflamatórios, anti-convulsivantes, sulfas, derivados
imidazólicos, hormônios tireoidianos, anti-concepcionais, etc), distúrbios
metabólicos (doença de Wilson, poli-transfundidos, hemossiderose,
hemocromatose, etc), trans-infecciosa, pós-choque. Em comum, todas as hepatites
têm algum grau de destruição das células hepáticas.
Quadro
clinico
A grande
maioria das hepatites agudas são assintomáticas ou levam a sintomas
incaracterísticos como febre, mal estar, desânimo e dores musculares. Hepatites
mais severas podem levar a sintomas mais específicos, sendo o sinal mais
chamativo a icterícia, conhecida popularmente no Brasil por "tiriça"
ou "amarelão" e que caracteriza-se pela coloração amarelo-dourada da
pele e conjuntivas. Associado pode ocorrer urina cor de coca-cola (colúria) e
fezes claras, tipo massa de vidraceiro (acolia fecal). Hepatites mais graves
podem cursar com insuficiência hepática e culminar com a encefalopatia hepática
e óbito. Hepatites crônicas (com duração superior a 6 meses), geralmente são
Hepatite A
É uma hepatite infecciosa aguda causada pelo vírus da
hepatite A, que pode cursar de forma subclínica. Altamente contagiosa, sua
transmissão é do tipo fecal oral,[1] ou seja,
ocorre contaminação direta de pessoa para pessoa ou através do contacto com
alimentos e água contaminados, e os sintomas iniciam em média 30 dias após o
contágio. É mais comum onde não há ou é precário o saneamento básico. A falta
de higiene ajuda na disseminação do vírus. O uso na alimentação de moluscos e
ostras de águas contaminadas com esgotos e fezes humanas contribui para a
expansão da doença. Uma vez infectada a pessoa desenvolve imunidade permanente.
Existe vacina segura para hepatite A. A transmissão através de agulhas ou
sangue é rara. Os sintomas são de início súbito, com febre baixa, fadiga, mal
estar, perda do apetite, sensação de desconforto no abdome, náuseas e vômitos.
Pode ocorrer diarreia. A icterícia é mais comum no adulto (60%) do que na criança
(25%). A icterícia desaparece em torno de duas a quatro semanas. É considerada
uma hepatite branda, pois não há relatos de cronificação e a mortalidade é
baixa. Não existe tratamento específico. O paciente deve receber sintomáticos e
tomar medidas de higiene para prevenir a transmissão para outras pessoas. Pode
ser prevenida pela higiene e melhorias das condições sanitárias, bem como pela
vacinação. É conhecida como a hepatite do viajante. O período de incubação do
vírus da hepatite A é de 30 dias.
Hepatite B
Sua transmissão é através de sangue, agulhas e
materiais cortantes contaminados, também com as tintas das tatuagens, bem como
através da relação sexual. É considerada também uma doença sexualmente transmissível.
Pode ser adquirida através de tatuagens, piercings, no dentista e até em
sessões de depilação.[2] Os
sintomas são semelhantes aos das outras hepatites virais, mas a hepatite B pode
cronificar e provocar a cirrose hepática. A prevenção é feita utilizando
preservativos nas relações sexuais e não utilizando materiais cortantes ou
agulhas que não estejam devidamente esterilizadas. Recomenda-se o uso de
descartáveis de uso único. Quanto mais cedo se adquire o vírus, maiores as
chances de ter uma cirrose hepática. Existe vacina para hepatite B, que é dada
em três doses intramusculares e deve ser repetida a cada 10 anos. O período de
incubação do vírus da hepatite B é de 90 dias.
Hepatite C
Hepatite que pode ser adquirida através de transfusão sanguínea, tatuagens, uso de
drogas, piercings, e em manicure, ainda não foi comprovado que pode ser
contagiosa por relações sexuais. É de grande preocupação para a Saúde Pública.
A maioria dos pacientes é assintomática no período agudo da doença, mas podem
ser semelhantes aos das outras hepatites virais. Estima-se que 3 % da
população mundial esteja contaminada,[3]
atingindo níveis dez vezes maiores no continente africano. A hepatite C é
perigosa porque pode cronificar e provocar a cirrose hepática e o hepatocarcinoma,
neoplasia
maligna do fígado.
A prevenção é feita evitando-se o uso de materiais
cortantes ou agulhas que não estejam devidamente esterilizadas. Recomenda-se o
uso de descartáveis de uso único, bem como material próprio em manicures. A esterilização destes materiais é
possível, porém não há controle e as pessoas que ‘dizem’ que esterilizam não
têm o preparo necessário para fazer uma esterilização real. Não existe vacina
para a hepatite C e é considerada pela Organização Mundial da Saúde como o
maior problema de saúde pública, é a maior causa de transplante hepático e
transmite-se pelo sangue mais facilmente do que a AIDS.
O anti-HCV positivo detecta infecção atual ou
pregressa. Pode ser necessário biópsia hepática para descartar malignidade e
determinar o grau da doença. A detecção do ácido ribonucleico (RNA) do vírus
caracteriza a presença do vírus no hospedeiro.
Aproximadamente metade dos pacientes tratados irão se
curar. Possuem melhores resposta ao tratamento os pacientes com idade inferior
a 40 anos, do sexo feminino, com genótipos 2 ou 3, que não apresentem cirrose e
de peso inferior a 85
quilogramas. O período de incubação do vírus da hepatite
C é de, em média, 45 dias.[3]
Hepatite não A não B não C
Termo antigo muito usado para hepatites que não eram
nem A nem B, que hoje se reconhece ser a maioria do tipo C, podendo ser também
E.
Hepatite D
Causada por RNA-vírus (tão pequeno que é incapaz de
produzir seu próprio envelope proteico e de infectar uma pessoa), só tem
importância quando associada à hepatite B, pois a potencializa. Isoladamente
parece não causar infecção. Geralmente encontrado em pacientes portadores do
vírus HIV e está mais relacionado à cronificação da hepatite e também à
hepatocarcinoma.
Hepatite E
É uma hepatite infecciosa aguda causada pelo vírus da
hepatite E, que se pode curar de forma subclínica. Sua transmissão é do tipo
fecal oral, através do contato com alimentos e água contaminados, e os sintoma
iniciam em média 30 dias após o contágio. É mais comum após enchentes Não
existe vacina para hepatite E. Os sintomas são de início súbito, com febre
baixa, fadiga, mal estar, perda do apetite, sensação de desconforto no abdome,
náuseas e vômitos. Pode ocorrer diarreia. É considerada uma hepatite branda,
apesar de risco aumentado para mulheres grávidas, principalmente no terceiro
trimestre gestacional, que podem evoluir com hepatite fulminante. Não existe
tratamento específico. O paciente deve receber medicamentos sintomáticos e
repousar. Pode ser prevenida através de medidas de higiene, devendo ser evitado
comprar alimentos e bebidas de vendedores ambulantes.
Hepatite F
DNA-vírus, transmitido a macacos Rhesus sp. em
laboratório experimentalmente, através de extratos de fezes de macacos
infectados. Ainda não há relatos de casos em humanos.
Hepatite G
A hepatite G foi a hepatite descoberta mais
recentemente (em 1995) e é provocada pelo vírus VHG (vírus mutante do vírus da
hepatite C) que se estima ser responsável por 0,3% de todas as hepatites
víricas. Desconhecem-se, ainda, todas as formas de contágio possíveis, mas
sabe-se que a doença é transmitida, sobretudo, pelo contato sanguíneo
(transmissão parenteral). Pode evoluir para infecção persistente com
prevalência de 2% entre doadores de sangue.
Em análises feitas nos Estados Unidos da América aos
doadores de sangue demonstrou-se que cerca de dois por cento já teve contacto
com o vírus. Supõe-se que o VHG se encontre em 20 a 30% dos utilizadores de
drogas injectáveis e em dez por cento das pessoas que foram sujeitas a uma
transfusão de sangue. Em cerca de 20% dos doentes com infecção pelos VHB ou VHC
é possível detectar anticorpos para o VHG, mas esta coinfecção não parece
influenciar a evolução daquelas hepatites. Não foi ainda possível determinar
com exactidão — dado que a descoberta da doença e do vírus que a provoca foram
recentes —, as consequências da infecção com o vírus da hepatite G. A infecção
aguda é geralmente «suave» e transitória e existem relatos duvidosos de casos
de hepatite fulminante (os especialistas ainda não chegaram a uma conclusão
definitiva sobre as causas destas hepatites fulminantes). Noventa a 100 por cento
dos infectados tornam-se portadores crónicos mas podem nunca vir a sofrer de
uma doença hepática. Até agora não foi possível comprovar que a infecção pelo
VHG conduza a casos de cirrose ou de cancro no fígado. Diagnóstico: pesquisa
HGV-RNA.
Outras hepatites virais
Outros vírus podem causar hepatites, porém sem ser
causa comum. São potencialmente causadores de hepatite em pacientes submetidos
a transfusões sanguíneas e imunodeprimidos o Epstein-Barr,
o citomegalovírus e o herpes
zoster. Outros agentes de importância são os vírus da dengue e febre
amarela.
Hepatite medicamentosa
O fígado é um dos principais órgãos
responsáveis pelo metabolismo e excreção de medicamentos e produtos tóxicos,
podendo ser danificado por eles no processo.
Existe um grande número de drogas que são
hepatotóxicas, ou seja, lesam diretamente o hepatócito.
Tais drogas podem portanto causar hepatite. A droga antidiabetes troglitazona,
por exemplo, foi retirada do mercado em 2000 por causar
hepatite. O acetaminofeno (Paracetamol), substância analgésica
muito utilizada por crianças e adultos, é considerada altamente hepatotóxica,
quando em doses elevadas.

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